sexta-feira, 20 de julho de 2012

Parte 17 - O Diagnóstico: Câncer

Resumo das postagens anteriores:
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Minha mama começou a sangrar espontaneamente: Parte 1
Os primeiros médicos não encontravam a causa do sangramento enquanto ele aumentava: Parte 2
Algumas pessoas, na tentativa de ajudar, acabavam atrapalhando: Parte 3
Mais 4 médicos não conseguiram diagnosticar o meu problema: Parte 4
Veja o que os planos de saúde são capazes de fazer para atrapalhar o seu tratamento: Parte 5
O último médico decidiu fazer uma cirurgia e eu resolvi procurar uma segunda opinião: Parte 6
A médica-anjo pediu outra ultrassonografia, mas o resultado foi que tudo estava normal: Parte 7
Aconteceu a coisa mais importante e surpreendente de todo o meu tratamento: Parte 8
A médica-anjo pediu uma ressonância e uma nova citologia e me encaminhou para o 8º médico: Parte 9
Depois de muita luta consegui a autorização para a ressonância: Parte 10
A ressonância só mostrou um a área estranha: Parte 11
A médica-anjo indicou que eu fizesse uma cirurgia com o médico grosso: Parte 12
Deus fez mais um milagre e minha médica indicou que eu fizesse uma Core Biopsy: Parte 13
O médico grosso se negou a prescrever a Core Biopsy: Parte 14
Resolvi pagar pela Core Biopsy: Parte 15
Fiz a Core Biopsy: Parte 16
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Chegou o dia de pegar o resultado da biópsia. Já era semana santa. E era dia de comemorar aniversário de um ano e meio de namoro. Aproveitei o horário de almoço do trabalho para ir buscar o exame. Porém, chegando lá, fiquei sabendo que o resultado só sairia a partir das três horas da tarde. Fiquei com muita raiva, mas na verdade a culpa foi minha, pois essa informação estava no exame e eu não tinha percebido. Só não fiquei com mais raiva porque eu não estava com pressa. Eu sabia que não tinha nada maligno na minha mama. Deixei então para buscar dois dias depois, novamente na hora do almoço. Esse era o dia da festa de formatura da minha amiga. Como eu cursei o mesmo curso que ela, eu conhecia os outros formandos, inclusive um deles trabalha comigo, na mesma equipe, assim como ela. Como eu via os formandos prepararem a festa, eu estava bastante animada para ir. Eu iria me divertir muito. Iria até beber, coisa que raramente faço.
Então fui buscar o exame na hora do almoço. Chovia muito nesse momento. Ao chegar à clínica, rapidamente peguei o exame. E como era só um papel dobrado, sem envelope nem plástico protegendo, resolvi abrir e ler. Fui passando pelas letrinhas rapidamente, procurando a palavra papiloma (o que eu achava que era), mas então encontrei a palavra “carcinoma” acompanhada de “ductal invasivo”. Eu já sabia o que era um carcinoma, era câncer. Mas me perguntei:

“Câncer? O quê ele está falando sobre câncer? Deixa eu ler pra entender... Que estranho... Ele fala como se eu tivesse câncer... Deixa eu ler de novo porque isso ta estranho... É isso mesmo... ele tá dizendo que eu tenho câncer... Peraí... eu tenho câncer? Mas ele tem certeza que é isso mesmo? Mas não pode ser, senão os exames anteriores teriam mostrado o tumor. Tem alguma coisa errada. Mas se tem aqui escrito... Deve tá errado... Será que eles liberariam um resultado desses sem ter certeza? Que eu saiba isso passa pelas mãos de mais de um patologista. Então, se for isso mesmo, eu tenho câncer. Não pode ser... Deixa eu ler de novo... Quantas vezes você vai precisar ler? Fato: você têm câncer. Eu? Com câncer? Será? Eu vou morrer! Eu nem realizei o sonho de ser mãe. Porque eu não fui mãe entes disso tudo acontecer se na verdade eu sempre quis? Meus olhos estão se enchendo de lágrimas. Eu não posso chorar aqui no meio da rua e debaixo dessa chuva. Eu não posso chegar ao trabalho chorando. Eu podia ir para casa daqui mesmo. Mas o que eu vou contar para a minha mãe? E para o meu pai? E para o meu namorado? E os nossos sonhos juntos? Pior ainda, como é que se dá uma notícia dessas para uma mãe e um pai? Eu não quero fazer isso. Minha mãe vai morrer de tristeza, então só posso contar quando o meu pai chegar, ele é mais forte. Nesse caso, eu tenho que voltar para o trabalho. Eu tenho que ligar para a minha médica e ler o exame para ela. Só assim vou ter certeza que é mesmo câncer. Câncer! Que coisa estranha de dizer. Parece que estou mentindo pra mim mesma. Para de chorar! Tá todo mundo olhando. Eu não acredito que eu vou morrer! Para de soluçar! Tenho que me acalmar para chegar ao trabalho. Ai meu Deus preciso de forças. Deus me ama, então ele está fazendo o melhor pra mim. Agora tenho que me acalmar. E a formatura da minha amiga? É hoje. Eu estava tão animada. Eu quero ir! Quero estar bem para ir. São meus últimos dias de vida, tenho que aproveitar! Não, tem tratamento. Vou precisar de cirurgia, então. Mas eu sempre tive medo de cirurgia. Então depois eu posso ter câncer novamente, ou ele pode se espalhar e eu vou morrer cedo?”
É péssimo quando se quer chorar e não se pode. Eu precisava chorar. Eu estava recebendo a pior notícia da minha vida e nem podia chorar. Eu ficava com as mãos no rosto para enxugar o mais rápido possível as lágrimas que eu não conseguia conter. Por alguns minutos eu conseguia me acalmar, mas logo em seguida vinha aquela sensação de morte, de que minha vida acabou, que nunca mais eu vou sorrir de novo, nem ser feliz de novo, que tudo tinha acabado: sonhos, futuro, carreira, namoro, família, enfim, vida. O que eu lamentava mesmo era não ter tido um filho antes, pois eu achava que nunca mais poderia tê-los. E tentava conter as lágrimas e quando as lágrimas se tornavam incontroláveis, o que eu tentava conter eram os soluços. E as pessoas ficavam olhando para mim, provavelmente se perguntando o que de tão mal teria acontecido com aquela menina. E tenho certeza que, por eu ser tão nova, ninguém imaginava que eu tivesse uma doença dessas. E nesse momento tudo o que eu queria era me esconder, ficar em um lugar sozinha para poder chorar, para poder tirar essa tristeza do meu coração, tirar essa dor tão grande de dentro de mim.
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Próxima Postagem: Parte 18

3 comentários:

  1. Que barra... Nao estranhe que no dia que eu te encontrar eu te abraçar bem muito. Ao escrever o blog, vc ta se abrindo pra gente, e nós que acompanhamos nos sentimos próximas a vc. É como se a gente tivesse vivendo tudo isso ao seu lado.
    Ja te admirava antes e agora entao!! Saudade das nossas fofoquinhas no banheiro!
    Beijo enorme em tu galega!

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  2. Suzana Queiroz (EJC)7 de janeiro de 2013 12:40

    Que difícil!E a emoção toma conta mais uma vez...

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