segunda-feira, 23 de julho de 2012

Parte 18 - Desespero

Resumo das postagens anteriores:
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Minha mama começou a sangrar espontaneamente: Parte 1
Os primeiros médicos não encontravam a causa do sangramento enquanto ele aumentava: Parte 2
Algumas pessoas, na tentativa de ajudar, acabavam atrapalhando: Parte 3
Mais 4 médicos não conseguiram diagnosticar o meu problema: Parte 4
Veja o que os planos de saúde são capazes de fazer para atrapalhar o seu tratamento: Parte 5
O último médico decidiu fazer uma cirurgia e eu resolvi procurar uma segunda opinião: Parte 6
A médica-anjo pediu outra ultrassonografia, mas o resultado foi que tudo estava normal: Parte 7
Aconteceu a coisa mais importante e surpreendente de todo o meu tratamento: Parte 8
A médica-anjo pediu uma ressonância e uma nova citologia e me encaminhou para o 8º médico: Parte 9
Depois de muita luta consegui a autorização para a ressonância: Parte 10
A ressonância só mostrou um a área estranha: Parte 11
A médica-anjo indicou que eu fizesse uma cirurgia com o médico grosso: Parte 12
Deus fez mais um milagre e minha médica indicou que eu fizesse uma Core Biopsy: Parte 13
O médico grosso se negou a prescrever a Core Biopsy: Parte 14
Resolvi pagar pela Core Biopsy: Parte 15
Fiz a Core Biopsy: Parte 16
Descobri que tinha câncer e fiquei desesperada: Parte 17
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Foram vários pensamentos confusos, contidos, contraditórios até que cheguei ao trabalho, com o rosto vermelho e os olhos inchados. Minha amiga Syntia, logo comentou que meu rosto estava estranho. Procurei não olhar para ela. Eu não podia contar naquele momento, senão eu choraria. Mas ela era minha amiga, uma hora iria saber. Tenho sorte de trabalhar com pessoas amigas, pois elas me apoiaram em tudo. Encontrei o meu namorado no MSN e como precisava contar para alguém, contei para ele pelo MSN mesmo. Ele tentou me acalmar, mas também ficou desnorteado. Mesmo assim viu tudo por uma perspectiva positiva, desde o começo. Tenho muita sorte de ter ele na minha vida.

Era o último dia de trabalho antes da páscoa. Era quarta-feira santa. E a empresa iria sortear alguns ovos de páscoa e distribuir caixas de chocolate para todos. E o pessoal de lá é divertido, então até consegui rir com as brincadeiras. Consegui ficar melhor. Parar de ter vontade de chorar. Eu não sou o tipo de pessoa que se obriga a ficar triste o tempo todo só porque tem motivos. Por mais motivos que eu tenha para ficar triste, eu quero mesmo assim sorrir. Então na volta dos sorteios, resolvi contar ao meu chefe. Ele estava por dentro de tudo que estava acontecendo. Contei para ele e para Syntia e disse que queria que fosse segredo e queria que isso não atrapalhasse nada na minha vida, que eu queria ir para a festa de hoje à noite, que eu queria fingir que isso não está acontecendo. Eles ficaram chocados, sem saber o que dizer, com cara de que não estavam acreditando nisso. O chefe perguntou se isso estava certo mesmo. Respondi que sim, mas resolvi ligar para a médica. Por sorte ela atendeu. Li o exame para ela e ela disse:

- Você sabe o que é isso?
- Sei.
- Então vá ao meu consultório na quinta-feira e leve alguém da sua família.
- Combinado. Doutora... Eu entendi que isso é um câncer nos ductos mamários. Mas esse invasivo é porque está passando para os tecidos vizinhos?
- Não... olhe... vá quinta-feira ao meu consultório porque a gente precisa ter uma conversa muito séria.

Era a certeza que eu precisava ter. Eu estava mesmo com câncer, mas era difícil dizer isso. Essa frase soa estranha “eu tenho câncer”. Soa como mentira. Agora eu precisava mais ainda chorar. E eu precisava ir para casa. Não tinha como trabalhar. O ruim era que eu precisaria contar para a minha mãe, pois ela estava em casa. Se ela não perguntasse pelo resultado do exame, eu podia esperar o meu pai e contar para os dois juntos. Mas e se ela perguntasse? Bom, o que eu sabia era que precisava ir para casa. Meu chefe tinha ido para uma reunião, então falei para Syntia o que a médica-anjo tinha dito e que eu iria para casa. Pedi que ela avisasse ao chefe.
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